Segunda-feira, 29 de Agosto de 2011

Três em cada quatro no PS ignoram escolha do novo líder



PS. Dos mais de 116 mil militantes, apenas 30 mil deverão escolher o sucessor de Sócrates

Por JOÃO PEDRO HENRIQUES
LILIA BERNARDES

O PS começa hoje a ir a votos. Em causa está a sucessão do líder, José Sócrates, que ao longo de seis anos, conseguiu o melhor resultado de sempre para o partido (em 2005) e um dos piores de sempre (em 2009) e os melhores e piores resultados de sempre para o País (no défice ou no desemprego por exemplo).

Cerca de 116 mii militantes foram convocados para escolher entre os dois candidatos, Assis e Seguro. No entanto, os prognósticos mais optimistas apontam para uma taxa participação que rondará, na melhor das hipóteses, os 25% (trinta mil votantes).

Por outras palavras: três em cada quatro inscritos no partido irão passar ao lado da escolha do militante a quem agora, com o PS de volta à oposição depois de seis anos no poder, caberá conduzir o partido. Ontem, segundo dados oficiais, estavam apenas em condições de votar (ou seja, com as quotas em dia) cerca de 20 000 militantes. Mas os militantes podem pagar as quotas até ao momento em que votam, esperando-se, precisamente, que muitos o façam à última da hora. As directas começaram hoje, ao final da tarde, e só terminarão também amanhã ao final da tarde.

A Comissão Organizadora do Congresso (COC), liderada por Joaquim Raposo (presidente de Câmara da Amadora, ex-presidente da FAUL do PS) tenciona ir divulgando resultados provisórios, mas só dentro de uma semana (terminados os prazos para recursos) serão anunciados os resultados finais oficiais.

Assis ‘por aí’

O favorito é Seguro, e o próprio Assis já o reconheceu. Mas ontem, este, falando com jornalistas antes de iniciar uma acção com militantes do PS no Funchal, deixou o aviso: se perder, continuará na “primeira linha da vida política portuguesa”. “Se ganhar, serei um secretário-geral preocupado em unir os socialistas e rapidamente construir urna alternativa política credível em Portugal. Se porventura perder— o que em democracia é naturalmente possível— manter-me-ei como militante do PS, empenhado’ disse. Acrescentando, segundo a Lusa, “Não vou fugir, não vou desaparecer, não vou hibernar, vou manter-me na primeira linha da vida política portuguesa.”

Ontem, a questão europeia foi o tema dominante da campanha de Seguro. O candidato criticou a ausência de iniciativas políticas por parte do Presidente da República e do primeiro-ministro na preparação da cimeira da Zona Euro: “Perante este novo Conselho Europeu, não vi uma única iniciativa das autoridades portuguesas, nem do Presidente da República, que agora está mais crítico face à forma como funcionam as instituições europeias, nem do primeiro-ministro.”

Seguro — que ontem viu confirmado o apoio de Ana Gomes e da líder parlamentar interina Maria de Belém— lamentou que “o Programa do Governo não tenha uma única linha sobre a perspectiva de construção europeia’ e demarcou-se da estratégia do actual Executivo. “No plano nacional, a resposta à crise esta a ser dada por via da austeridade, mas há aqui um erro porque se desiste” de “uma estratégia sustentável de crescimento”.

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